Super Bowl, Bad Bunny e Trump: quando a cultura vira recado político

João Santana é jornalista e Presidente Nacional do Partido Afrobrasilidade

Super Bowl, Bad Bunny e Trump: quando a cultura vira recado político
Por João Santana

O Super Bowl voltou a mostrar que é mais do que esporte: é um espelho da sociedade americana. Diante de milhões de espectadores, Donald Trump deixou de ser referência de poder e passou a ser símbolo de desgaste. As críticas públicas e a ausência de reverência evidenciaram a fadiga com um projeto político baseado na polarização permanente e no conflito como método.

Esse clima ficou ainda mais evidente no show do intervalo. A apresentação de Bad Bunny — artista latino, global e abertamente conectado a pautas sociais, diversidade e imigração — teve forte repercussão política. Sua presença no maior palco da cultura pop dos EUA foi lida como afirmação de uma América plural, jovem e multicultural, em contraste direto com o nacionalismo excludente associado ao trumpismo. Não por acaso, setores conservadores reagiram com incômodo, enquanto o público celebrou.

O Super Bowl funcionou, mais uma vez, como termômetro social. A NFL, antes intimidada por Trump durante os protestos antirracistas, hoje parece menos disposta a silenciar vozes críticas. Isso revela a perda de poder simbólico do presidente sobre instituições culturais e esportivas.

Do ponto de vista eleitoral, o recado é claro: a base de Trump segue fiel, mas isolada. Eleitores moderados, independentes e jovens demonstram cansaço. Internacionalmente, o espetáculo reforçou a imagem de um líder incapaz de gerar consenso interno ou representar estabilidade global.

O Super Bowl não define eleições, mas antecipa movimentos. Entre vaias políticas e um show que celebrou diversidade e mudança, o evento indicou que a cultura americana começa a virar a página. Trump ainda grita. A diferença é que o palco já não o escuta como antes — e, cada vez mais, prefere outros protagonistas.