Polícia do Rio de jJaneiro investiga "Alunos Fantasmas" e fraude em aluguéis de creches ligadas a vereadora Gigi Castilho.
Desde 2019, as instituições envolvidas receberam R$ 72 milhões dos cofres municipais para o atendimento de alunos da rede pública
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga um suposto esquema de fraudes e lavagem de dinheiro em creches conveniadas à Prefeitura do Rio que teriam ligações com a vereadora Gigi Castilho (PL) e seu marido, Luciano Castilho. Novos depoimentos obtidos pelo inquérito da Delegacia de Defraudações apontam para a existência de "alunos fantasmas" e a falsificação de contratos de locação para assegurar o desvio de repasses públicos.
Desde 2019, as instituições envolvidas receberam R$ 72 milhões dos cofres municipais para o atendimento de alunos da rede pública. Diante das suspeitas, a Prefeitura do Rio suspendeu os convênios com as creches comunitárias no final do ano passado, logo após a vereadora ser alvo de uma operação de busca e apreensão em novembro.
O RASTRO DOS CONTRATOS FALSOS
O foco central das investigações aponta para a Unidade 7 da Creche Deus é Fiel, localizada em Guaratiba, na Zona Oeste da capital. Segundo as prestações de contas enviadas pela instituição à Secretaria Municipal de Educação, foram gastos R$ 223 mil apenas com o aluguel do imóvel entre 2022 e 2023.
Contudo, a suposta proprietária que assina o contrato de locação, Vanessa de Oliveira Monteiro, desmentiu a versão em depoimento à polícia. Ex-assistente administrativa da própria creche, Vanessa afirmou que nunca foi dona do imóvel e jamais recebeu os valores. Ela declarou que costumava assinar pilhas de documentos sem ler a pedido de Anderson de Oliveira Nascimento, atual representante legal das creches Deus é Fiel, e suspeita que sua assinatura tenha sido falsificada ou colhida de forma fraudulenta em papéis em branco.
A auditoria policial também identificou que, na prestação de contas, constava apenas um recibo de aluguel — preenchido e assinado por uma terceira pessoa, e não por Vanessa.
EMPRESAS DE FACHADA E PARENTES
As novas revelações encorpam uma investigação que começou no ano passado, quando reportagens do RJ2 revelaram que o grupo ligado à parlamentar utilizou cerca de R$ 1,7 milhão para contratar fornecedores suspeitos. Entre as prestadoras de serviço registradas estavam padarias, hortifrutis e confecções de roupas pertencentes a parentes ou pessoas do círculo íntimo do casal. Diligências posteriores constataram que muitas dessas empresas sequer funcionavam nos endereços declarados à Receita Federal.
O OUTRO LADO
Em nota, a defesa da vereadora Gigi Castilho e de seu marido, representada pelo advogado Marcio Delambert, rechaçou as acusações:
"A vereadora não tinha qualquer relação administrativa ou de gestão das creches, em especial sobre registros de alunos ou contratos de pessoas e fornecedores. Gigi Castilho nunca participou ou pediu para realizar eventos eleitorais, seja com funcionários ou pais de alunos."
A defesa atacou ainda a credibilidade das testemunhas, afirmando que Vanessa de Oliveira Monteiro também é investigada e que seus depoimentos são "fantasiosos", ressaltando que o caso corre sob segredo de Justiça para evitar "exploração política indevida".
Até o fechamento desta reportagem, Anderson de Oliveira Nascimento e Vanessa de Oliveira Monteiro não haviam sido localizados ou optaram por não se manifestar. O espaço segue aberto para manifestações futuras.
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