Canella teria prometido trégua ao CV em troca da retirada de barricadas, aponta PF

A operação também resultou na prisão do delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, e de outros quatro investigados

Canella teria prometido trégua ao CV em troca da retirada de barricadas, aponta PF
Sapucaia Milgral RJ.

A Polícia Federal (PF) investiga a suspeita de que Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, tenha negociado uma trégua com integrantes do Comando Vermelho (CV) em troca da retirada de barricadas em comunidades da Baixada Fluminense. O político foi preso nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne.

Segundo as investigações, o acordo previa que traficantes retirassem barricadas para permitir a realização de obras públicas, como pavimentação de ruas. Em contrapartida, haveria um compromisso de reduzir as operações policiais nas áreas dominadas pela facção criminosa.

Após a conclusão das intervenções, os criminosos poderiam retomar o controle territorial sem novos confrontos, conforme aponta a investigação.

Áudios obtidos pela PF indicam que o capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa teria atuado como intermediário entre a administração municipal de Belford Roxo e lideranças do CV, incluindo Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e José Severino da Silva Júnior, o Soró.

A Polícia Federal também investiga possíveis ligações de Canella com grupos de milicianos e suspeitas de nomeações de pessoas ligadas a essas organizações para cargos públicos.

Canella, que foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026, é apontado pelos investigadores como articulador político de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavagem de dinheiro.

A operação também resultou na prisão do delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, e de outros quatro investigados. Segundo a PF, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.

A defesa de Canella afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos e que o político confia na Justiça, acreditando que os fatos serão esclarecidos.

As suspeitas seguem sob investigação e não representam condenação judicial.